Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Marillion – Real To Reel (1984)



Ok, a Caverna continua por uns tempos, mas em ritmo mais lento. Pra manter o blog respirando, o primeiro disco ao vivo do Marillion. Na época eu achei curioso uma banda com apenas dois discos de estúdio lançar um ao vivo, mas entendi na primeira audição. Primeiro, o repertório incluía duas canções então inéditas no Brasil, “Cinderella Search” e “Market Square Heroes”, lançadas lá fora como compactos. Se quisessem, poderia ter incluído “Grendel” também, mas deixa pra lá.

Em segundo lugar, o disco é bom pra cacete. Traz a banda quicando nos cascos, cada um brilhando no momento certo. Em especial, Fish, para mim sempre o vocalista do Marillion, mostrando que sua voz não era produto de estúdio e desfiando para a platéia suas maravilhosas letras. O público, aliás, é outro fator que me faz adorar esse disco. Sempre achei que os registros ao vivo de progressivo, em geral, pecam pela frieza. É como se a platéia estivesse ali só pra pagar ingresso, não devendo fazer o mínimo de ruído para não atrapalhar a performance dos maestros.

Aqui, não. A platéia é presente o tempo todo, com participação marcante em “Garden Party” e na já citada “Market Square Heroes”. E a equalização perfeita faz com que isso em nada prejudique a qualidade da música.

Enfim, aqui está. Espero que gostem.

1. Assassing
2. Incubus
3. Cinderella Search
4. Emerald Lies
5. Forgotten Sons
6. Garden Party
7. Market Square Heroes

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No vídeo, uma das minhas músicas favoritas deles: “Cinderella Search”.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Also Eden – About Time (2006)



Galera, fui duplamente atingido por conta daquele post do Dream Theater, tirado do ar tanto pelo Blogger quanto pelo Rapidshare, acompanhado de um monte de mensagens ameaçadoras. Cheguei a pensar em tirar o blog do ar e deletar tudo – aliás, ainda não cheguei a uma decisão nesse sentido.

Bem, de qualquer forma, resolvi botar um negócio só pra deixar a Caverna respirando. Este grupo inglês de neo prog me foi sugerido pelo amigo Sergio Martorelli. Como é realmente bom e difícil de achar, estou compartilhando.

1. Between The Lines
2. For Bumble
3. Pandora
4. The Enemy Within
5. Children Of The Night

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No vídeo, uma versão ao vivo de “Between The Lines”.

Domingo, Junho 14, 2009

Big Brother & The Holding Company – Três com Janis Joplin

Depois de alguns lançamentos, é hora de um pouquinho de classic rock. No caso, a grande voz feminina dos anos 60 e uma das mais expressivas cantoras de todos os tempos: Janis Joplin. Mais precisamente, Big Brother & The Holding Company, a banda que a lançou para o estrelato.

O grupo surgiu em 1965, criado pelo baixista Peter Albin e os guitarristas Sam Andrew e James Gurley – o baterista David Getz entrou pouco depois. Sentindo a necessidade de um vocal, o empresário Chet Helms viajou ao Texas e voltou trazendo Janis Joplin a tiracolo.

Janis, então com 23 anos, criara fama como outcast desde a adolescência. Gorducha, com a cara detonada por espinhas, fã de artistas negros (se o Texas é conservador e racista hoje, imaginem há quase 50 anos...), biriteira. Em 1963, despencou-se para São Francisco, onde viveu por uns tempos e gravou uma demo de clássicos do blues com o guitarrista Jorma Kaukonen, mais tarde fundados do Jefferson Airplane. Em 65, porém, diante de sua dependência cada vez maior de drogas e das péssimas condições físicas, amigos a convenceram a voltar para o Texas e se recuperar. Foi lá que, no ano seguinte, Helms foi buscá-la.

Com Janis nos vocais, o Big Brother tornou-se rapidamente um dos grupos de maior destaque na cena hippie de São Francisco. Gravaram um disco pelo selo Mainstream, mas o álbum ficou engavetado até o final de 1967. O que detonou seu lançamento foi a arrebatadora apresentação da banda no festival de Monterey, incluída no documentário Monterey Pop. A despeito do furor provocado pelo show, o disco homônimo teve uma recepção morna, chegando apenas ao 60º lugar das paradas. Injustiça, pois traz uma incendiária coleção de clássicos, com aquela ousadia instrumental típica do psicodelismo californiano e a voz incendiária de Janis.

Mas a explosão era questão de tempo. A gravadora Columbia, que distribuíra o disco de estréia, conseguiu tirá-los da Mainstream e colocou-os em estúdio para a gravação do disco seguinte. Por ordem da gravadora, o título original, Sex, Dope And Cheap Thrills (Sexo, Drogas e Emoções Baratas) foi reduzido somente para Cheap Thrills. Da mesma forma, os executivos vetaram a idéia do grupo para a capa: uma foto dos cinco nus na cama. Em vez disso, encomendaram a arte ao quadrinista Robert Crumb, criador do Gato Fritz e ele próprio uma figura seminal do movimento psicodélico.

Crumb fez uma ilustração para a capa e, na contracapa, uma série de quadrinhos apresentando a banda e cada uma das sete canções. O grupo não gostou da capa, decidindo então passar os quadrinhos para a frente e botar na contracapa somente uma foto de Janis. Crumb ficou ofendidíssimo, mandou usarem a ilustrações como supositório e até hoje renega o trabalho. Tremenda frescura, pois o resultado é magistral.

Magistral também são as canções. Não há uma “mais ou menos”. “Summertime”, dos irmãos Gershwin, foi literalmente reinventada, assim como “Piece Of My Heart”, lançada no ano anterior pela cantora gospel Erma Franklin, irmã mais velha da grande Aretha Franklin. As quatro canções dos integrantes do grupo são aulas de blues psicodélico, e o disco fecha com o grande clássico de Janis, o blues “Ball And Chain”, de Big Mama Thornton.

Dessa vez o público respondeu. Cheap Thrills chegou ao topo das paradas e vendeu mais de um milhão de cópias. O sucesso, claro, custou caro à unidade do grupo. Janis deixou o Big Brother no fim do ano e lançou-se a uma carreira solo não tão brilhante, em meio a idas e vindas com drogas pesadas, morrendo de overdose em 1970.

Em 1998 chegou às lojas, oficialmente, o registro de um magnífico show do Big Brother na turnê de lançamento de Cheap Thrills, retrato de um dos mais brilhantes momentos do rock.

E é isso que a Caverna oferece.

Big Brother & The Holding Company (1967)



1. Bye, Bye Baby
2. Easy Rider
3. Intruder
4. Light Is Faster Than Sound
5. Call on Me
6. Coo Coo
7. Women Is Losers
8. Blindman
9. Down On Me
10. Caterpillar
11. All Is Loneliness
12. The Last Time

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Cheap Thrills (1968)



1. Combination of the Two
2. I Need a Man to Love
3. Summertime
4. Piece of My Heart
5. Turtle Blues
6. Oh, Sweet Mary
7. Ball and Chain

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Live at Winterland '68 (1998)



1. Down on Me
2. Flower in the Sun
3. I Need a Man to Love
4. Bye Bye Baby
5. Easy Rider
6. Combination of the Two
7. Farewell Song
8. Piece of My Heart
9. Catch Me Daddy
10. Magic of Love
11. Summertime
12. Light Is Faster Than Sound
13. Ball and Chain
14. Down on Me

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No vídeo, um momento mágico, “Ball And Chain” no festival de Monterey, em 1967.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Candlemass - Death Magic Doom (2009)



Galera, novo disco do Candlemass. Como sempre, Master Of Reality hiperamplificado, mas é bem legal.

1. If I Ever Die
2. Hammer of Doom
3. The Bleeding Baroness
4. Demon of the Deep
5. House of 1000 Voices
6. Dead Angel
7. Clouds of Dementia
8. My Funeral Dreams

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No vídeo, o áudio de “The Bleeding Baroness”.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Epica – The Classical Conspiracy (2009)



Galera, a despeito da escassez de comentários, o post do Therion fez sucesso. Assim, aqui está a versão do Epica. Como o post anterior, este duplo ao vivo foi gravado no Festival Internacional de Ópera de Miskolk, na Hungria, daí o clima mais solene. No primeiro disco estão músicas de compositores eruditos, três temas de filmes e algumas canções do grupo. No segundo, só músicas do Epica.

Confesso que, das grandes bandas européias de gothic metal, Epica é que menos me atrai. Nada contra Simone Simmons, claro, mas é que foi o grupo que menos conseguiu se libertar do death metal. Em todas as outras, os vocais grunidos foram pouco a pouco perdendo espaço em favor do vocal feminino ou de um masculino grave. No caso do Epica, porém, o dono da banda, Mark Jansen, é o grunidor, o que explica a insistência nesse tipo de vocal.

De qualquer forma, os muitos números instrumentais e a performance de Simone Simmons valem o download.

Disco 1

1. Palladium (Yves Huts)
2. Dies Irae (Giuseppe Verdi)
3. Ombra Mai Fu (George Frideric Handel)
4. Adagio (Antonín Dvořák)
5. Spider-Man Medley (Danny Elfman)
6. Presto (Antonio Vivaldi)
7. Montagues and Capulets (Sergei Prokofiev)
8. The Imperial March (John Williams)
9. Stabat Mater Dolorosa (Giovanni Battista Pergolesi)
10. Unholy Trinity (Yves Huts)
11. In the Hall of the Mountain King (Edvard Grieg)
12. Pirates of the Caribbean Medley (Hans Zimmer/Klaus Badelt)
13. Indigo
14. The Last Crusade
15. Sensorium
16. Quietus
17. Chasing the Dragon
18. Feint

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Disco 2

1. Never Enough
2. Beyond Belief
3. Cry for the Moon
4. Safeguard to Paradise
5. Blank Infinity
6. Living a Lie
7. The Phantom Agony
8. Sancta Terra
9. Illusive Consensus
10. Consign to Oblivion

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No vídeo, uma versão para a “Marcha Imperial”, da trilha sonora de “O Império Contra-Ataca”.

Domingo, Junho 07, 2009

Therion – The Miskolc Experience (2009)



Galera, mais um duplo ao vivo do Therion, desta vez acompanhado por uma orquestra completa. O primeiro CD traz a banda executando músicas de compositores eruditos, enquanto o segundo vem com clássicos do repertório do grupo. Fico besta de ver o quanto o Therion evoluiu desde Of Darkness, seu disco de estréia, de 1991.

Disco 1

01. Clavicula Nox
02. Dvorak: Excerpt from Symphony no. 9
03. Verdi: Vedi! le fosche notturne spotigle from Il Trovatore
04. Mozart: "Dies Irae" from Reqiuem
05. Saint-Saens: Excerpt from Symphony No. 3
06. Wagner: "Notung! Notung! Niedliches Schwert!" from The Ring
07. Wagner: Excerpt from the Overture from Rienzi
08. Wagner: Second part of "Der Tag ist da" from Rienzzi
09. Wagner: First part of "Herbei! Herbei!" from Rienzi

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Disco 2

01. Blood Of Kingu
02. Sirius B
03. Lemuria
04. Eternal Return
05. Draconian Trilogy
06. Schwartsalbenheim
07. Via Nocturna
08. The Rise Of Sodom And Gomorrah
09. Grand Finale

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No vídeo, “Clavicula Nox”, só com a orquestra e as vocalistas.



E “Via Nocturna”, com todo mundo.

Anekdoten – Cinco discos

Galera, esta aqui é a discografia de estúdio de uma ótima banda de progressivo pesado (na linha King Crimson) que me foi apresentada anos atrás pelo meu prezado Carlos Akkerman.

Vermod (1993)



1. Karelia
2. The Old Man and the Sea
3. Where Solitude Remains
4. Thought in Absence
5. The Flow
6. Longing
7. Wheel
8. Sad Rain

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Nucleus (1995)



1. Nucleus
2. Harvest
3. Book of Hours
4. Raft
5. Rubankh
6. Here
7. This Far From The Sky
8. In Freedom

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From Within (1999)



1. From Within
2. Kiss Of Life
3. Groundbound
4. Hole
5. Slow Fire
6. Firefly
7. The Sun Absolute
8. For Someone

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Gravity (2003)



1. Monolith
2. Ricochet
3. The War Is Over
4. What Should But Did Not Die
5. SW4
6. Gravity
7. The Games We Play
8. Seljak

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A Time Of Day (2007)



1. The Great Unknown
2. 30 Pieces
3. King Oblivion
4. A Sky About To Rain
5. Every Step I Take
6. Stardust And Sand
7. In For A Ride
8. Prince Of The Ocean

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No vídeo, “From Within”.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Tyr – O resto da discografia

Já que houve pedido, aqui está o resto da discografia do grupo Tyr. Como estão todos em 320kbps, precisei quebrar alguns.

How Far To Asgard (2002)



1. Hail to the Hammer
2. Excavation
3. The Rune
4. Ten Wild Dogs
5. God of War
6. Sand in the Wind
7. Ormurin Langi
8. How Far to Asgaard

Download parte 1
Download parte 2

No vídeo, “Hail To The Hammer”.



Eric The Red (2003)



1. The Edge
2. Regin Smiður
3. Dreams
4. The Wild Rover
5. Stýrisvølurin
6. Ólavur Riddararós
7. Rainbow Warrior
8. Ramund Hin Unge
9. Alive
10. Eric the Red

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No vídeo, “Regin Smiður”.



Ragnarok (2006)



1. The Beginning
2. The Hammer of Thor
3. Envy
4. Brother's Bane
5. The Burning
6. The Ride to Hel
7. Torsteins Kvæði
8. Grímur á Miðalnesi
9. Wings of Time
10. The Rage of the Skullgaffer
11. The Hunt
12. Victory
13. Lord of Lies
14. Gjallarhornið
15. Ragnarok
16. The End

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No vídeo, “Ragnarok” ao vivo.



Land (2008)



1. Gandkvæði Tróndar
2. Sinklars Vísa
3. Gátu Ríma
4. Brennivín
5. Ocean
6. Fípan fagra
7. Valkyrjan
8. Lokka Táttur
9. Land
10. Hail To The Hammer (2008 Version)

Download parte 1
Download parte 2

No vídeo, “Sinklars Vísa”

Domingo, Maio 31, 2009

Primal Fear - 16.6 (Before the Devil Knows You're Dead) (2009)



Meus caros, mais um saindo do forno. Novo disco do quinteto alemão Primal Fear.

1. Before the Devil Knows You're Dead
2. Riding the Eagle
3. Six Times Dead (16.6)
4. Black Rain
5. Under the Radar
6. 5.0 / Torn
7. Soar
8. Killbound
9. No Smoke Without Fire
10. Night After Night
11. Smith & Wesson
12. The Exorcist
13. Hands of Time

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No vídeo, o clipe de “Six Times Dead (16.6).

Sábado, Maio 30, 2009

Renaissance – Ashes Are Burning (1973)



Esse post aqui vai para um amigo que se lamentava na Internet por ter emprestado este LP para alguém que não devolveu, e agora não consegue achar o CD. Meu velho pai dizia que roseira de otário dá abacate – disco, livro e cônjuge não se empresta. Mas, para aliviar a tristeza do Gilberto, aqui está o segundo disco da formação clássica do Renaissance. Annie Haslam definitivamente não é humana.

1. Can You Understand?
2. Let It Grow
3. On the Frontier
4. Carpet of the Sun
5. At the Harbour
6. Ashes Are Burning

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No vídeo, “Carpet Of The Sun” (quem foi que fez aquilo com as sobrancelhas dela?!?!?!).

Led Zeppelin – The Song Remains The Same (completo) (1976)



Galera, esta aqui é a versão (quase) integral das gravações que resultaram no filme homônimo do Led Zeppelin. Saiu junto com a versão remasterizada do longa, em 2007.

Tenho que confessar sentimentos dúbios em relação a essa performance. Eu adoro músicas longas e muito solo. Para quem, como eu, gosta de bateria, John Bonham dava uma tese. Por outro lado, tinha horas em que eu acabava me entediando, pois parecia que os músicos estavam um tantinho perdidos no meio dos improvisos. E Robert Plant, sublime em estúdio, não parecia o mesmo ao vivo.

Anos depois, lendo reportagens sobre o filme (e o disco), constatei que os integrantes do grupo e eu estávamos de acordo. Jimmy Page diz que a banda estava cansada após uma longa turnê, com o resultado ficando muito abaixo da média de suas apresentações. Já Plant usa palavras ainda menos gentis... O lançamento, em 2003, do CD triplo How The West Was Won e do DVD duplo Led Zeppelin mostrou o que era, de fato, um show deles.

Agora, mesmo sem a banda estar num momento mais inspirado, The Song Remains The Same ainda é um item obrigatório em qualquer coleção de rock pesado, especialmente depois da edição de 2007. No lançamento original, o álbum duplo privilegiou as grandes suítes, em detrimento das canções mais curtas. Acabaram sendo somente nove músicas em quatro lados, sendo que somente as quatro do primeiro lado tinham menos de dez minutos cada. Além disso, dois dos melhores momentos do filme, “Since I’ve Been Loving You” e “Black Dog” foram limadas do disco. Por outro lado, “Celebration Day” entrou no disco mesmo sem ter ido às telas.

A nova versão supriu essa deficiência, e ainda trouxe as que tinham ficado de fora da edição original do filme: “Over The Hills And Far Away”, “Misty Mountain Hop” e “The Ocean”. A única gravação dos três shows no Madison Square Garden e continuar de fora tanto do filme quando do CD é “Thank You”.

Está ripado em exibidos 320kbps, mas, como o Rapidshare está permitindo arquivos maiores, não precisei quebrar.

Disco 1

1. Rock and Roll
2. Celebration Day
3. Black Dog
4. Over the Hills and Far Away
5. Misty Mountain Hop
6. Since I've Been Loving You
7. No Quarter
8. The Song Remains the Same
9. Rain Song
10. The Ocean

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Disco 2

1. Dazed and Confused
2. Stairway to Heaven
3. Moby Dick
4. Heartbreaker
5. Whole Lotta Love

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No vídeo, um dos meus momentos favoritos do filme, “Since I’ve Been Loving You”.

Tyr – By The Light Of The Northern Star (2009)



Galera, já está circulando por aí e a Caverna traz também o novo disco do quarteto escandinavo Tyr, rara banda de metal pagão com vocais de verdade, em vez daqueles grunidos de porco. Se quiserem, tenho os demais discos deles pra botar aqui.

Ah, está tudo em 320kbps.

1. Hold the Heathen Hammer High
2. Tróndur í Gøtu
3. Into the Storm
4. Northern Gate
5. Turið Torkilsdóttir
6. By the Sword in My Hand
7. Ride
8. Hear the Heathen Call
9. By the Light of the Northern Star

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Aqui, o áudio da faixa de abertura.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Black Sabbath – Live At Hammersmith Odeon (2007)



Galera, esse aqui, só baixando, mesmo. Para comemorar a caixa The Dio Years e os primeiros shows do projeto Heaven & Hell, a gravadora Rhino lançou este CD numa tiragem limitada a cinco mil cópias numeradas. O disco foi lançado em 1º de maio de 2007 e esgotou no mesmo dia.

Como dá pra notar, o repertório é muito parecido com o de Live Evil, e não é para menos, pois trata-se da mesma turnê. Este disco reúne gravações de três shows nos dias 31 de dezembro de 1981 e 1º e 2 de janeiro de 1982 no lendário Hammersmith de Londres. Qualidade de som excelente – e com platéia! Ah, uma curiosidade é que o repertório traz os únicos registros ao vivo de “Country Girl” e “Slipping Away”.

1. E5150
2. Neon Knights
3. N.I.B.
4. Children of the Sea
5. Country Girl
6. Black Sabbath
7. War Pigs
8. Slipping Away
9. Iron Man
10. The Mob Rules
11. Heaven and Hell
12. Paranoid
13. Voodoo
14. Children of the Grave

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No vídeo tosco, a citada “Country Girl”.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Black Sabbath – Live Evil (1983)



Mais que um palíndromo, o primeiro disco ao vivo oficial do Black Sabbath foi motivo para muita polêmica. Quando eu e minha turma ouvimos, nos idos de 1983/84, veio uma dúvida: se o disco é ao vivo, onde diabos (literalmente) está a platéia? Pois é, Live Evil é um disco ao vivo sem público, ou melhor, com o público praticamente inaudível.

A entrada de Ronnie James Dio no Black Sabbath, em 1979, tem duas versões. Segundo o próprio Dio, que acabara de ser demitido do Rainbow, a notícia da saída de Ozzy Osbourne do Sabbath chegou a ele como sendo o fim da banda. Dio então entrou em contato com Tony Iommi para montarem um grupo juntos. O guitarrista teria chamado Geezer Butler e Bill Ward, e, quando deu por si, Dio era o novo vocalista do Black Sabbath. Ele era contra a idéia e achava que deveriam começar algo novo, só com material próprio – o que acabou acontecendo com o projeto Heaven And Hell. A outra versão é mais plausível. Conta que Sharon Arden, filha do empresário do grupo e futura senhora Osbourne, sugeriu o nome de Dio, que foi chamado e ficou muito feliz.

A questão é que, com ele nos vocais, o Black Sabbath lançou dois álbuns brilhantes: Heaven And Hell (1980) e Mob Rules (1981), já com Vinny Appice na bateria. Dio impusera sua marca na banda, mas isso estava criando atritos cada vez maiores. Embora quase todas as canções do Black Sabbath fossem creditadas aos quatro membros, Iommi e Butler eram as forças criativas, com este acumulando (com brilho) a função de letrista. Ozzy, em geral, seguia as instruções que recebia.

Com Dio buraco era mais embaixo. Ele tinha duas décadas de estrada (começou profissionalmente no fim dos anos 50, quando ainda era adolescente), tocava baixo e teclados, escrevia as próprias letras – embora as de Butler fossem melhores – e já era reconhecido como um dos melhores vocalistas do rock pesado. Não ia engolir ser “dirigido” por Butler. O sucesso dos dois discos de estúdio acalmava um pouco as coisas, mas não por muito tempo.

Em 1980, a gravadora NEMS lançou o LP ao vivo Live At Last, com gravações da banda em 1973. Embora o grupo não tivesse participado do (ou aprovado o) lançamento, não havia nada a ser feito, pois as fitas pertenciam ao ex-empresário do Sabbath. O sucesso do disco na Europa e a importação para os EUA e o Reino Unido mostraram que havia muita demanda por um disco ao vivo do grupo. Cabia a Iommi e companhia lançá-lo e faturar. Diversos shows na turnê de Mob Rules foram gravados entre abril e maio; faltava só produzir.

Só que aí a vaca foi para o brejo. Dio, Iommi e Butler tinham dividido, ainda que nem sempre de forma amistosa, o direcionamento musical da banda, ficando a produção dos discos a cargo do grande Martin Birch. Para cuidar das gravações ao vivo, porém, o guitarrista e o baixista deram um chega-pra-lá no cantor e assumiram sozinhos a produção. Dio deixou a banda e levou Vinny Appice a tira-colo. Na época, circularam boatos de que ele teria entrado no estúdio à noite e mexido na mixagem para destacar sua voz e a bateria. Tempos depois os demais membros negaram a fofoca, atribuída a um engenheiro, mas o lançamento mostrou algumas retaliações: Iommi e Butler são as figuras dominantes nas fotos, em detrimento de Dio; o vocalista é creditado como “Ronnie Dio”, sem o “James” de seu nome artístico; Vinny Appice, embora tenha sido creditado como membro efetivo no disco anterior, virou “músico convidado”, junto com o tecladista Geoff Nicholls, que tocava dos bastidores, aparecendo somente em uma pequena foto no canto.

Se é verdade que Dio buliu com a mixagem, jamais saberemos ao certo. O fato é que algo aconteceu de anormal. Embora voz e instrumentos estejam bem claros, a platéia acabou banida. Como dizia minha querida avozinha, “o diabo tanto mexeu no cu do filho que arrombou”. No processo, também, o disco, cujos shows foram gravados em maio de 82, demorou muito a sair, chegando às lojas somente em janeiro de 83. Pau da vida tanto com Live At Last quanto com a notícia de o Sabbath preparava um ao vivo sem ele, Ozzy gravou em setembro e lançou em novembro Speak Of The Devil (disponível aqui na Caverna), só com canções de sua antiga banda e, coincidência ou não, uma platéia ensurdecedora. O resultado é que Live Evil, além de perder as vendas de fim de ano, foi ofuscado pelo disco de Ozzy, que vendeu muito mais. No Brasil isso não aconteceu, pois Speak Of The Devil só foi lançado no fim de 1984, em vistas ao show de Ozzy no primeiro Rock In Rio.

Bem, aqui está a versão completa de Live Evil. No primeiro lançamento em CD, a gravadora cometeu a heresia de cortar “War Pigs” para caber tudo num disco só. A edição remasterizada trazia todas as músicas, mas cortaram toda a conversa com a platéia – o que tornava menos “ao vivo” ainda. Já esta aqui foi do lançamento em CD duplo, tendo até mais bate-papo que o original.

1. E5150
2. Neon Knights
3. N.I.B.
4. Children of the Sea
5. Voodoo
6. Black Sabbath
7. War Pigs
8. Iron Man
9. The Mob Rules
10. Heaven and Hell
11. Sign of the Southern Cross/Heaven and Hell (Continued)
12. Paranoid
13. Children of the Grave
14. Fluff
15. Ending

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No vídeo, uma gravação doméstica de “N.I.B.” da mesma turnê.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Lizzy Borden – Visual Lies (1987)



Este post nasceu de uma frase de Paul Stanley que eu usei no anterior: “as pessoas ouvem com os olhos”. Algumas bandas ganhavam pela cara um rótulo sem que alguém tivesse a mínima preocupação em ouvir sua música.

O Lizzy Borden é um ótimo exemplo. Foi fundado pelo vocalista homônimo em 1983 em Los Angeles e dito líder usava uma maquiagem berrante. Pronto, bastou para que o grupo seja até hoje classificado como “glam”. Não interessa se a maquiagem ali derivasse da tradição de choque de Alice Cooper e Kiss e não da androgenia da maior parte da cena glam de LA (o delicioso apelido “hair metal” só viria depois) e que o som fosse bem mais pesado que o de seus conterrâneos.

O mesmo aconteceu com o W.A.S.P. (no primeiro disco, pois The Last Command é glam mesmo) e com o Twisted Sister (idem para Come Out And Play e o seguinte). Aliás, Dee Snider tem uma frase ótima: “Nunca entendi nos chamarem de ‘glam’. ‘Glam’ vem de glamour, e nós somos tudo, menos glamurosos. Deviam nos chamar de ‘hed’, de hediondos”.

Voltando ao Lizzy Borden, o som deles está mais para metal tradicional americano do que para hard rock glam. Vale a pena baixar.

1. Me Against The World
2. Shock
3. Outcast
4. Den of Thieves
5. Visual Lies
6. Eyes of A Stranger
7. Lord of the Flies
8. Voyeur (I'm Watchin' You)
9. Visions

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No vídeo, “Me Against The World”, a música mais comercial do disco:

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Os renegados do Kiss

Em 2006, Digníssima esteve nos EUA e me trouxe uma edição de capa dura de Behind The Mask, a biografia autorizada do Kiss, já lançada no Brasil. Sim, eu sou fã de carteirinha da banda há décadas.

Como toda biografia autorizada, é aquela platitude adulatória. Mas a segunda parte do livro é realmente interessante. Os músicos (além de produtores e demais profissionais envolvidos) comentam praticamente cada faixa dos discos da banda. Entre curiosidades, trivialidades e Gene Simmons detonando impiedosamente ex-colegas, chamou-me a atenção como a banda renega de forma explícita dois discos: Music From The Elder e Carnival Of Souls. Chamou-me a atenção principalmente porque eu gosto muito de ambos.

Nos dois casos, o motivo alegado para renegarem os discos é: não são Kiss, não se enquadram no estilo da banda. O primeiro foi uma tentativa de fazer um álbum “conceitual”, no estilo dos grupos progressivos dos anos 70; o segundo, uma tentativa de pegar carona na onda “grunge” que já fazia água na metade dos anos 90. Mas isso é cascata. Os motivos reais foram que o primeiro foi um fracasso de vendas e o segundo não se enquadrava no projeto de marketing da banda.

Se esse papo de “não ser Kiss” fosse sério, eles teriam que renegar os dois compactos de maior sucesso comercial que tiveram. O primeiro, sétimo lugar na parada da Billboard, foi “Beth”, uma balada melosa com arranjo à la Ray Conniff, cantada pelo baterista original, Peter Criss. O segundo, décimo primeiro lugar, foi “I Was Made For Loving You”, composta por Paul Stanley com a explícita intenção de faturar na febre da discoteca no fim dos anos 70. As duas, definitivamente, não são o estilo do Kiss, e, diferentemente dos álbuns renegados, sequer são rock.

A questão é que Simmons e Stanley, a partir do fim dos anos 70, passaram a prestar muita atenção no que estava “na onda” e correr atrás. Por incrível que pareça, o alcoólatra e farrista Ace Frehley era, naquele momento, a pessoa mais lúcida da banda, insistindo que o Kiss deveria investir pesado no hard rock que fez Alive! vender mais de três milhões de cópias. Em vez disso, fizeram a dita incursão na discoteca, no disco Dynasty, totalmente pop.

Eu fico surpreso que macacos velhos como Stanley e Simmons não tenham se dado conta que o sucesso no mercado pop (nos EUA chamado “top 40”) costuma ser o beijo da morte para bandas de rock. Público pop não é fiel ao artista, compra o que está na moda, ouve enquanto está na moda e depois esquece. Ao procurar “ampliar o público”, o que o Kiss conseguiu foi alienar seus fãs tradicionais para atingir uma audiência fugaz. Tanto que o disco seguinte, Unmasked, igualmente pop, afundou feito pedra.

Ace Frehley insistia numa retomada do rock pesado, aproveitando a entrada de Eric Carr, baterista de pegada mais heavy. Foi voto vencido, e o resultado foi The Elder, que vou comentar um pouco mais adiante.

O fracasso de The Elder deixou o Kiss meio que num beco sem saída, ou melhor, com uma saída só: peso. E peso num vôo cego. Como eu disse, desde 1978 o Kiss procurava seguir o que a moda ditava, só que a moda não lhes ditava nada naquele momento. Os fracassos dos dois discos anteriores haviam mostrado que eles não era uma banda pop nem uma banda progressiva. Eram uma banda de rock pesado. Finalmente a ficha da sabedoria de Ace caiu – mas, paradoxalmente, Ace estava deixando a banda.

Mas qual o modelo a seguir? Aí é que tá. Em 1981 não havia modelo seguro, especialmente nos EUA. As grandes bandas dos anos 70 tinham acabado ou estavam num hiato, as bandas que dominariam a década (Iron Maiden, Metallica, Mötley Crüe etc.) ainda estavam muito no início. Sem ter muito como olhar para o lado, o Kiss precisou contar somente com o próprio feeling. O resultado foi Creatures Of The Night, seu mais pesado e, na minha opinião, melhor disco. Pena que era o disco certo na hora errada. O público estava cansado do Kiss.

Paul Stanley diz que o fato de Lick It Up, o disco seguinte, ter estourado é a prova de que as pessoas “ouvem com os olhos”. Embora muito bom, não faz frente a Creatures, trazia a banda sem maquiagem e vendeu feito pão quente. O engraçado é que o sucesso desse disco (e a boa qualidade do anterior) não parece ter dado ao Kiss confiança no próprio taco, pois logo logo eles voltaram a imitar o que os outros estavam fazendo. Primeiro, a onda de guitarristas debulhadores, com Mark St. John tocando duzentas notas por segundo em Animalize; depois, para minha tristeza, um mergulho no hair metal mais boiola, nos três únicos discos deles que eu nuca comprei em CD: Asylum, Crazy Nights e Smashes, Thrashes & Hits.

A banda só voltou aos eixos com Revenge, de 1982, mais um disco fundamentalmente pesado. O álbum de estúdio seguinte foi o mal-falado Canival Of Souls. Bem, aqui estão os dois banidões.

Music From The Elder (1981)



A “culpa” por The Elder lembra um pouco a propaganda do biscoito Tostines – vende mais porque está sempre fresquinho ou está sempre fresquinho porque vende mais? Gene Simmons e Paul Stanley dizem que o disco conceitual era uma “visão” do produtor Bob Ezrin, que os conduzira na gravação de Destroyer seis anos antes. Só que a história do disco era baseada num conto que Gene Simmons escrevera e queria transformar num filme. Além disso, Ezrin acabara de produzir o genial The Wall, do Pink Floyd. Se a idéia não era produzir um disco conceitual porque trazer aquele produtor e já levar para ele o conceito pronto? É mais fácil botar a culpa na “visão” de Ezrin.

Mas o disco está longe de ser ruim. A única música que me parece um grande equívoco é “Odyssey”, mais por conta do arranjo pretensioso – é a única canção, aliás, que não foi composta pela banda. Ezrin a trouxe – e essa culpa é dele mesmo. Mas, fora isso, “The Oath” e “I” são excelentes rocks pesados, “Mr. Blackwell” tem tudo a ver com a persona de Gene Simmons, “Dark Light” é uma excelente música de Ace (valorizada pela letra de Lou Reed) e a balada “A World Without Heroes” é muito menos brega que “Beth” ou que as cometidas por Paul Stanley na fase hair metal. E, para coroar, tem um raro instrumental particularmente inspirado: “Scape From The Island”, gravado por Ace, Eric Carr e Bob Ezrin no baixo. Qualquer uma dessas músicas ficaria bem nos dois discos seguintes do Kiss.

Descontando “Odyssey” e a vinheta “Fanfare”, sobram três músicas que, realmente, não tem nada a ver com a banda. Só que elas são boas. “Christine Sixteen” e “Hard Luck Woman” (que Paul Stanley compôs para oferecer a Rod Stewart) também não tem nada a ver com a banda, e nem por isso são enxovalhadas.

Repetindo, o único pecado sério de The Elder foi ter vendido pouco.

1. Fanfare
2. Just A Boy
3. Odyssey
4. Only You
5. Under the Rose
6. Dark Light
7. A World Without Heroes
8. The Oath
9. Mr. Blackwell
10. Escape from the Island
11. I

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No vídeo, o clipe de “A World Without Heroes”.



Carnival Of Souls (1997)



Ao contrário de The Elder, o problema de Carnival Of Souls foi decorrente de uma mudança de planos de Stanley e Simmons. Revenge fora um tremendo sucesso, puxado por um compacto pesado, “Unholy”, direcionado explicitamente às rádios de heavy metal. Mais um disco ao vivo depois e era hora de voltar ao estúdio. Na década de 80, enquanto Simmons investia na carreira de (fraco) ator, Stanley comandara a guinada hair metal da banda. Agora, totalmente comprometido com o grupo outra vez, era hora de o linguarudo ditar o caminho.

Só que no meio do caminho havia um acústico. Em agosto de 1995, o Kiss gravou o ótimo MTV Unplugged, com a participação de Ace Frehley e Peter Criss. O show deu início a intermináveis especulações sobre uma volta da formação original. As negociações estavam realmente em andamento, mas oficialmente, o Kiss ainda era Simmons, Stanley, Bruce Kulick e Eric Singer, e era hora de voltar ao estúdio – se a reunião não acontecesse, eles precisavam de um disco para soltar.

Simmons queria “modernizar” o som do Kiss e via como caminho natural aderir à facção heavy metal do balaio de gatos que imprensa apelidou de grunge, no caso, Alice In Chains e Soundgarden. Bruce Kulick, guitarrista oficial da banda desde 1984, concordava e via nisso uma chance de mostrar mais seu trabalho. O produtor escolhido foi Toby Wright, exatamente por sua experiência com Alice In Chains e Slayer.

O disco é, provavelmente, o mais pesado da banda desde Creatures, embora falte aqui e ali aquele humor negro sacana típico das composições de Simmons. Por outro lado, há anos eles não ousavam tanto em arranjos, com destaque para minha favorita no disco, “Childhood’s End”, cujo nome Simmons tirou de um conto de Arthur C. Clarke. Francamente, quem ouve “Unholy”, “Spit” e “Thou Shalt Not”, as faixas mais pesadas de Simmons em Revenge, não se surpreende tanto com Carnival. Da mesma forma, três das melhores músicas de Psycho Circus - “Whitin”, “Dreaming” e “Journey Of A Thousand Years” – são totalmente coerentes com o clima do disco renegado.

Só que a reunião aconteceu. Em 28 de fevereiro de 1996, semanas depois de terminadas as gravações de Carnival, Simmons, Stanley, Frehley e Criss apareceram maquiados na entrega do Grammy. A volta do Kiss original era um fato, e todas as atenções estavam voltadas para a nova turnê, exclusivamente com repertório dos anos 70.

Do ponto de vista mercadológico, lançar um disco com outra formação e outro direcionamento musical era realmente um mau negócio, desviando a atenção e até confundindo o público. Assim, Carnival of Souls foi engavetado. Simmons e (principalmente) Stanley justificaram o engavetamento com a surrada história de “não ser no estilo do Kiss”. Só que as gravações vazaram e começaram a ser transformadas em cassetes e CDs pelos próprios fãs. Logo logo o “disco perdido do Kiss” estava sendo vendido no eBay.

Ora, Gene Simmons nunca foi de deixar os outros ganharem dinheiro com seu trabalho – pelo menos não sem que ele ganhasse também. Se alguém queria comprar, ele deveria vender. Assim, em outubro de 1997, Carnival Of Souls chegou às lojas sem qualquer badalação. O grunge estava praticamente esquecido, substituído pela tosqueria do nu metal.

Se tivesse saído no início de 1996, como previsto, e sem a malhação prévia de seus criadores, acredito que o disco tivesse sido mais bem recebido. Porém, se a minha avó tivesse rodas, ela seria uma carroça. Em Behind The Mask, Paul Stanley diz ter sido contra a gravação do disco, afirmando que o mundo não precisava de um “sub-Soundgarden”. Tá, mas o mundo precisava de um sub-Poison como em Crazy Nights?

1. Hate
2. Rain
3. Master & Slave
4. Childhood's End
5. I Will Be There
6. Jungle
7. In My Head
8. It Never Goes Away
9. Seduction of the Innocent
10. I Confess
11. In the Mirror
12. I Walk Alone

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Não foi feito qualquer clipe para esse disco, mas achei imagens das gravações do álbum.

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Sá, Rodrix & Guarabyra – Dois discos

Morreu ontem à noite em São Paulo Zé Rodrix. Quem tem menos de 35 dificilmente sabe de quem se trata – salvo quem milita nos meios publicitário, ocultista e trekker –, o que é uma tremenda injustiça. Carioca, nascido em 1947, Zé Rodrix, aliás, José Rodrigues Trindade, formou-se pela Escola Nacional de Música e estudou teatro no Tablado. Cantava bem e sabia tudo de teclados.

Estreou profissionalmente em 1966 (PQP, ano em que eu nasci), no grupo Momento Quatro, cujo único LP foi lançado em 1968. Depois de um tempo em Porto Alegre, fundou, em 1970, o Som Imaginário, grupo proto-progressivo ao lado de Wagner Tiso e Tavito, entre outros. O grupo fez nome acompanhando Milton Nascimento. Após gravar o primeiro disco do Som Imaginário, pediu as contas.

O ano de 1971 foi fundamental para Zé Rodrix. Venceu o Festival de Juiz de Fora com aquela que seria sua obra-prima, “Casa no Campo”, cuja interpretação de Elis Regina é um momento mágico da MPB. Na bela letra, uma frase chamava a atenção: “Eu quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais”. Esse neologismo seria a chave de seu trabalho seguinte: o trio Sá, Rodrix & Guarabyra, formado com Luís Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra. Em dois LPs, o trio montou uma perfeita simbiose de elementos roqueiros com sonoridades brasileiras e letras com bom humor, romantismo, uma visão mais hippie de mundo e uma certa crítica política.

Rodrix deixou o trio (que seguiu como a dupla Sá & Guarabyra) em 1973, engrenando uma carreira solo de relativo sucesso. Na década de 80 participou de uma fugaz versão do grupo Joelho de Porco, mas jamais conseguiu o mesmo brilho do início dos anos 70.

Paradoxalmente, o autor de músicas impregnadas de filosofia hippie era um fértil produtor de jingles publicitários. Talvez o mais famoso fosse o da Pepsi no início dos anos 70, cujo refrão “só tem amor quem tem amor pra dar” marcou uma geração. Cada vez mais imerso nessa atividade e nos afazeres de produtor musical de teatro e cinema, acabou deixando de lado sua carreira de cantor. Seu último registro de inéditas foi em 1988, com o Joelho de Porco, enquanto sua última gravação foi um ao vivo com Sá e Guarabyra, lançado em 2001.

Além das qualidades musicais, Rodrix era maçom, ligado à Grande Loja da São Paulo, e “oficial” de alta patente da Frota Estelar, atuante fã-clube paulistano de Jornada nas Estrelas.

Como homenagem, a Caverna traz os dois discos seminais que ele gravou com Sá e Guarabyra. Consegui socar os dois num só arquivo.

Passado, Presente e Futuro (1972)



1. Zepelin
2. Ama Teu Vizinho Como A Ti Mesmo
3. Juriti Butterfly
4. Me Faça Um Favor
5. Boa Noite
6. Hoje Ainda É Dia de Rock
7. Primeira Canção da Estrada
8. Cumpadre Meu
9. Crianças Perdidas
10. Azular
11. Ouvi Contar
12. Cigarro de Palha

Terra (1973)



1.Os anos 60
2. Desenhos no Jornal
3. Mestre Jonas
4. Blue Riviera
5. Adiante
6. Pindurado no Vapor
7. O Pó da Estrada
8. O Brilho das Pedras
9. Até Mais Ver

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No vídeo, uma versão recente da genial “Mestre Jonas”:

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Edenbridge – LiveEarthDream (2009)



Galera, vamos falar sério. Quem prensa só mil cópias de um disco pode reclamar de downloads? Não, né? Portanto, aqui está o novo CD ao vivo da banda austríaca Edenbridge. Só é vendido pela Internet e limitado às referidas mil cópias.

1. The Force Within (Intro)
2. Shadowplay
3. Remember Me
4. Undying Devotion
5. Wild Chase
6. Shine
7. Evermore
8. For Your Eyes Only
9. Terra Nova
10. Move Along Home
11. Centennial Legend
12. Paramount
13. Fallen From Grace
14. MyEarthDream

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No vídeo, “MyEarthDream”:

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Riverside – Reality Dream (2008)



Galera, embora não tenha havido um único mísero comentário, as estatísticas do Rapidshare dão conta que o Riverside foi bem aceito. Assim, resolvi botar aqui um troço mais difícil de achar. Reality Dream é um álbum duplo que teve somente mil cópias – isso mesmo, só mil. Mostra que a banda polonesa manda muito bem no palco.

Disco 1

1. The Same River
2. Out of Myself
3. Volte-Face
4. Rainbow Box
5. 02 Panic Room
6. I Turned You Down
7. Reality Dream III
8. The Curtain Falls

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Disco 2

1. Parasomnia
2. Second Life Syndrome
3. Back To The River
4. Conceiving You
5. Before
6. Ultimate Trip

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No vídeo, uma versão ao vivo de “Second Life Syndrome”.

Sábado, Maio 16, 2009

Rita Lee & Tutti Fruti – Fruto Proibido (1975)



Agora, um disco seminal do rock brasileiro. Em 1972, a guinada dos Mutantes em direção ao rock progressivo acabou por alienar Rita Lee, que deixou a banda “a pedido” de Sérgio Dias. Com a amiga Lúcia Turnbull, ela montou um duo de curta duração, logo transformado na banda Tutti Fruti. Lúcia saiu quando o grupo gravava seu primeiro disco, fazendo com que a gravadora Somlivre lançasse o LP como Rita Lee & Tutti Fruti.

Fruto Proibido é o segundo álbum lançado por eles. Comparado com o som elaborado dos mutantes, é um disco até básico. Com músicas mais simples e diretas. Isso, claro, numa época em que simples e direto não era inda sinônimo de tosco e deliberadamente mal tocado. “Agora Só Falta Você” e “Esse Tal de Roque Enrow” (letra excelente de Paulo Coelho) animaram muita festinha da minha infância, mas o grande momento do disco é a balada “Ovelha Negra”, autêntico manifesto da geração dos inícios dos anos 70.

No ano seguinte, Rita conheceu Roberto de Carvalho e deu início a uma parceria conjugal/artística em que o sucesso comercial foi inversamente proporcional à qualidade do trabalho, como quase sempre acontece. Costumo dizer que amo Rita Baptista, adoro Rita Lee e detesto Rita de Carvalho.

1. Dançar Pra Não Dançar
2. Agora Só Falta Você
3. Cartão Postal
4. Fruto Proibido
5. Esse Tal de Roque Enrow
6. O Toque
7. Pirataria
8. Luz Del Fuego
9. Ovelha Negra

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No vídeo, o clip de “Ovelha Negra”. Tosco como qualquer vídeo musical brasileiro do período.

Riverside – Anno Domini High Definition (2009)



Galera, mês que vem sai na Europa o novo disco do quarteto polonês Riverside. A Caverna traz antes – baixem antes que derrubem.

Pessoalmente eu não gosto do rótulo progressive metal. Teclados, mudanças de ritmos e elaboração instrumental eram elementos muito comuns do rock pesado (especialmente europeu) desde os anos 70. Mas o povo hoje parece amar um rótulo.

Bem, o disco é até mais pesado (e curto) que os outros trabalhos deles.

1. Hyperactive
2. Driven to Destruction
3. Egoist Hedonist
4. Left Out
5. Hybrid Times

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Aqui, o áudio da música de trabalho, “Egoist Hedonist”.

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Elf – Live At The Bank (ou War Pigs 72) (1972)



Galera, hoje é dia de explorar o passado de Ronnie James Dio, antes de ele virar um paradigma do vocal de heavy metal. Essas são gravações ao vivo do Elf em 1972, antes mesmo de lançarem seu disco de estréia. O material mistura rock tradicional, boogie e hard rock, com muitas, mas muitas covers. Tem Jethro Tull, Led Zeppelin, Rod Stewart, The Who e Yardbirds, entre outros. A cover mais célebre, que acabou virando um dos nomes do disco, é de “War Pigs”, do Black Sabbath – a celebridade, no caso, deve-se ao fato de que, oito anos depois, Dio viria a ser vocalista do Sabbath.

Disco 1

1. Wakeup Sunshine
2. Smile for me Lady
3. Rosemarie
4. You Felt The Same Way
5. Driftin'
6. Saturday Nigth
7. Cross-Eyed Mary
8. Stay With Me
9. Litle Queenie medley
10. An Old Raincoat Won't Ever Let You Down
11. Cold Ramona
12. Black Dog
13. Lura Lura
14. Four Day Creep

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Disco 2

1. Give Me A Chance
2. Rumble
3. Aqualung
4. Drown Me In The River
5. Simple Man
6. Won't Get Fooled Again/Baba O'Riley medley
7. Pisces Apple Lady
8. Dirty Dollar Bill
9. Buckingham Blues
10. So Long
11. You Shook Me/Rocks Boogie
12. War Pigs

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Aqui não é exatamente um vídeo, mas uma montagem com o áudio da cover de “Aqualung”:

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Yngwie Malmsteen - Fire & Ice (1992)



Atendendo a pedidos, mais um Yngwie.

1. Perpetual
2. Dragonfly
3. Teaser
4. How Many Miles to Babylon
5. Cry No More
6. No Mercy
7. C'est la Vie
8. Leviathan
9. Fire and Ice
10. Forever Is a Long Time
11. I'm My Own Enemy
12. All I Want Is Everything
13. Golden Dawn
14. Final Curtain

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No vídeo, "Dragonfly".

Terça-feira, Maio 12, 2009

Yngwie J. Malmsteen – Os três primeiros

Galera, cavucando minha coleção atrás de coisas pra botar no blog, dei de cara com esses três ótimos discos do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, que eu não ouvia há muito tempo. Ouvi-los de novo foi um prazer. Assim, resolvi compartilhar. Espero que gostem – e comentem, porra.

Rising Force (1984)



Em 1985, quando este disco chegou no meu trabalho, deu logo uma polêmica. Eu e um amigo cravamos logo como um dos melhores discos de metal do ano. Já outro, meu querido Carlos Akkerman, disse que era mais progressivo que heavy metal. Para sustentar, apresentou três argumentos. Primeiro, era um disco fundamentalmente instrumental. Segundo, o único músico de renome tocando era Barryemore Barlow, baterista do Jethro Tull. Por fim, a faixa 5, além de ser uma suíte, incluía um trecho do Adagio de Albinoni.

Olhando em retrospecto, estávamos todos certos. Embora deteste a definição “prog metal”, arrisco dizer que este seria o marco zero do gênero. Extremamente elaborado, pesado e com uma noção de melodia derivada da música erudita que faltava à geração de “shreders” norte-americanos que veio em seguida.

Claro que o meu queixo caiu com a técnica de Malmsteen, mas, surpreendentemente, o que mais me chamou a atenção foi o talento do vocalista Jeff Scott Soto. Embora ele só participasse de duas músicas (faixas 3 e 6), mostrava um timbre próprio e muita personalidade – especialmente se lembrarmos que tinha apenas 19 anos quando gravou o disco. Além de Soto e Barlow, completava a formação o tecladista Jens Johansson, com Malmsteen acumulando o baixo.

1. Black Star
2. Far Beyond the Sun
3. Now Your Ships Are Burned
4. Evil Eye
5. Icarus' Dream Suite Op. 4
6. As Above, So Below
7. Little Savage
8. Farewell

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No vídeo, “As Above, So Below”, infelizmente sem a ótima introdução de teclado.



Marching Out (1985)



O mercado brasileiro acabou sendo sacaneado no caso deste disco aqui. Rising Force saiu nos EUA em 1984, mas só foi lançado aqui no ano seguinte – mesmo momento em que saía lá fora Marching Out, segundo trabalho de Malmsteen. Conforme me explicou na época uma divulgadora da Polygram, heavy metal não vendia o suficiente para justificar lançamentos colados de títulos de um mesmo artista. Isso até acontecia em ocasiões especiais, como a vinda de Ozzy para o Rock In Rio, ou fenômenos, como o sucesso de The Number Of The Beast. Nenhum desses era o caso de Yngwie. Como no ano seguinte saiu Trilogy, Marching Out jamais foi lançado por aqui.

Uma pena. É um disco sensacional, embora menos experimental que o anterior. Marcel Jacob assumiu o baixo (e não cheirou nem fedeu), enquanto Andres Johansson, irmão do tecladista, substitui Barryemore Barlow na bateria.

Basicamente é um disco de heavy metal tradicional com uma pegada européia. A proporção se inverteu, com apenas três instrumentais entre as 11 faixas, o que abriu mais espaço para Jeff Scott Soto mostrar seu talento, mas sem esquecer que o dono da festa era mesmo o guitarrista.

Ah, caso alguém esteja estranhando a foto acima. Aquela é a capa original do vinil (uma aeromoça amiga da minha irmã me trouxe dos EUA), uma cópia descarada da foto de Ritchie Blackmore na parte interna de Made In Japan. O fascínio de Malmsteen por Blackmore iria ter reflexos (a meu ver daninhos) na carreira dele.

1. Prelude
2. I'll See the Light, Tonight
3. Don't Let It End
4. Disciples of Hell
5. I Am a Viking
6. Overture 1383
7. Anguish and Fear
8. On the Run Again
9. Soldier without Faith
10. Caught in the Middle
11. Marching Out

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No vídeo, “Disciples Of Hell”.



Trilogy (1986)



Durante muito tempo, este foi para mim o último bom disco de Malmsteen, ainda que nem de longe comparável aos dois anteriores. Tem grandes músicas, especialmente “Fury”, “Dark Ages” e os instrumentais “Crying” e “Trilogy Suite Op. 5”, mas já mostrava alguma tendência a aderir ao hair metal que dominava o cenário norte-americano. Vale uma ressalva, o estilo produziu coisas muito legais, especialmente entre os grupos pioneiros, mas, como tudo que vira modismo, se massificou e diluiu.

Confesso que fiquei muito decepcionado com a saída de Jeff Scott Soto, mas gostei das canções novas na voz de Mark Boals. Ainda é um disco bom de ouvir, embora menos arrebatador que os dois anteriores.

O que veio depois me fez perder o interesse pelo trabalho de Yngwie por um longo tempo. Pense nos discos mais fracos do Rainbow e do Deep Purple. Os mais comerciais e menos criativos. O que eles têm em comum? Joe Lynn Turner pilotando os microfones. Pois foi exatamente o que aconteceu com Yngwie Malmsteen. Mas, isso já é outra conversa.

1. You Don't Remember, I'll Never Forget
2. Liar
3. Queen in Love
4. Crying
5. Fury
6. Fire
7. Magic Mirror
8. Dark Ages
9. Trilogy Suite Op:5

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No vídeo, o clipe de “You Don't Remember, I'll Never Forget”.

Domingo, Maio 10, 2009

Dio – San Jose (1983)



Galera, todo mundo barriga cheia após o nababesco almoço de Dia das Mães, né? Então vamos deixar de papo e cair dentro. A pedida hoje é um bootleg matador de Ronnie James Dio, gravado na sua primeira turnê como artista solo, após o lançamento de Holy Diver, para mim o melhor disco dele.

01. Intro
02. Stand Up And Shout
03. Straight Through The Heart
04. Shame On The Night
05. Children Of The Sea
06. Holy Diver
07. Vinnie's Solo
08. Stargazer
09. Vivian's Solo
10. Heaven And Hell
11. Rainbow In The Dark
12. Man In The Silver Mountain

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No vídeo, a magistral “Rainbow In The Dark”, em outro show da mesma turnê:

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Bob Dylan – The 30th Anniversary Concert Celebration (1993)



Ok, galera, Dagda agora vai escrever um treco que vai ofender os brios religiosos de algumas pessoas, mas, paciência. Eu acho Bob Dylan uma das criaturas mais chatas que já caminharam vivas sob o Sol. O fato de um sujeito com aquela voz ter ganhado a vida (e feito fortuna) como cantor é algo que faz diminuir minha já rasteira fé no gênero humano. Vi um show dele, abrindo para os Stones na Apoteose, e considerei uma experiência excruciante.

Agora, claro, vem a ressalva que justifica o post. Embora não suporte Dylan como intérprete, tenho que admitir que ele é talvez o mais importante compositor norte-americano dos últimos 50 anos. A matéria prima de suas canções é tão boa, mas tão boa, que qualquer bom intérprete que pegue, sai com uma obra prima. Os exemplos clássicos são All Along The Watchtower, adotada por Jimi Hendrix, e Like A Rolling Stone, que os supracitados Stones levaram anos para adotar. Ok, Zé Ramalho é um grande intérprete, mas sua versão de Knocking On Heaven’s Door é dolorosa. Como dizia Aldir Blanc, toda regra tem exceção e toda exceção caga regra.

Agora, o que acontece quando um monte de grandes intérpretes pega ao mesmo tempo o material de Dylan? A resposta se deu em outubro de 1992, no Madison Square Garden, de Nova York, quando uma multidão de artistas celebrou no palco os 30 anos de carreira do Belchior americano. O show saiu em CD duplo e VHS. Como ambos estão fora de catálogo desde o século passado, resolvi postar.

Confesso que gosto mais do primeiro disco. É onde estão as interpretações mais ousadas e alguns de meus intérpretes favoritos. Por exemplo, Eddie Vedder arranca das entranhas uma leitura visceral de “Masters Of War”, Stevie Wonder justifica o nome artístico em “Blowing In The Wind”, Johnny Winter surta em “Highway 61 Revisited” e, acima de tudo, Richie Havens, com seu vozeirão e seu violão básico, rouba para si a linda letra de “Just Like A Woman”. Ainda no quesito vozeirão, há que se citar Johnny Cash e lamentar como o ator sofrível Kris Kristofferson nos fez esquecer do bom cantor Kris Kristofferson. Claro, também tem Tracy Chapman, mas nada é perfeito, né?

Já o segundo disco, além de ter o próprio Dylan, me parece uma competição para se saber quem imita melhor Bob Dylan - Chrissie Hynde ganhou, hihihihi.... Claro, tem Clapton e George Harrison, o que é sempre meio caminho andado.

Ah, uma curiosidade, Sinéad O'Connor protagonizou um incidente no evento. Duas semanas antes, ela se apresentara no programa Saturday Night Live, cantando uma versão de “War”, de Bob Marley. Mudando a letra para criticar o abuso sexual de crianças em vez do racismo, ela culminou a performance rasgando uma foto de João Paulo II. O dito cujo, todos sabem, pontificava sobre aquela igreja que expulsa um sujeito se ele mantiver relações sexuais consentidas com uma mulher adulta, mas abafa o caso se ele estuprar uma criança. Como nenhum ato de coragem passa impune, ela virou alvo do “rebanhão”. No show para Dylan, deveria cantar “I Believe In You”, mas foi vaiada tão intensamente que precisou deixar o palco.

Disco 1

1. Like a Rolling Stone (John Cougar Mellencamp)
2. Leopard-Skin Pill-Box Hat (John Cougar Mellencamp)
3. Introduction by Kris Kristofferson
4. Blowin' in the Wind (Stevie Wonder)
5. Foot of Pride (Lou Reed)
6. Masters of War (Eddie Vedder and Mike McCready)
7. The Times They Are A-Changin' (Tracy Chapman)
8. It Ain't Me Babe (June Carter Cash and Johnny Cash)
9. What Was It You Wanted? (Willie Nelson)
10. I'll Be Your Baby Tonight (Kris Kristofferson)
11. Highway 61 Revisited (Johnny Winter)
12. Seven Days (Ronnie Wood)
13. Just Like a Woman (Richie Havens)
14. When the Ship Comes In (The Clancy Brothers, Robbie O'Connell and Tommy Makem)
15. You Ain't Going Nowhere (Mary Chapin Carpenter, Rosanne Cash and Shawn Colvin)

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Disco 2

1. Just Like Tom Thumb's Blues (Neil Young)
2. All Along the Watchtower (Neil Young)
3. I Shall Be Released (Chrissie Hynde)
4. Don't Think Twice, It's All Right (Eric Clapton)
5. Emotionally Yours (O'Jays)
6. When I Paint My Masterpiece (The Band)
7. Absolutely Sweet Marie (George Harrison)
8. License to Kill (Tom Petty & the Heartbreakers)
9. Rainy Day Women #12 & 35 (Tom Petty & the Heartbreakers)
10. Mr. Tambourine Man (Roger McGuinn with Tom Petty & the Heartbreakers)
11. It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding) (Bob Dylan)
12. My Back Pages (Bob Dylan, Roger McGuinn, Tom Petty, Neil Young, Eric Clapton, George Harrison)
13. Knockin' on Heaven's Door (Everyone)
14. Girl from the North Country (Bob Dylan)

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No vídeo, “Masters Of War”, com Eddie Vedder e Mike McCready.

Quarta-feira, Maio 06, 2009

David Gilmour – Remember That Night (2007)



Ok, galera, esse aqui foi um tour de force. Ripei o áudio de um brilhante DVD ao vivo de David Gilmour gravado no Royal Albert Hall, em Londres, em 2007, na turnê do disco On An Island. Para mim, o show tem um atrativo a mais: a presença de Rick Wright, antigo companheiro de Gilmour no Pink Floyd, nos teclados e vocais. Outras presenças de destaque na banda são Phil Manzanera, guitarrista do Roxy Music, e Dick Parry, que tocou saxofone em três discos do Floyd.

Como é natural, Gilmour está numa situação um pouco análoga à de Paul McCartney: não importa a boa qualidade de sua produção solo, sua participação chave numa banda fundamental para a história do rock vai sempre ter precedência. Por isso, ele abre a apresentação com uma seleção do primeiro lado de The Dark Side Of The Moon. Platéia aquecida, Gilmour mostra as músicas de seu disco solo.

Na segunda parte do programa, ele desfia uma série de Standards do Pink Floyd, abarcando boa parte da carreira do grupo. Sim, eu ainda me emociono ao ouvir Gilmour e Wright cantarem “Echoes”.

Além do repertório sólido (embora pouco ousado) e do evidente talento da banda, merece destaque o time de convidados, quatro lendas do rock. Como no DVD acústico In Concert (áudio também disponível aqui na Caverna), Gilmour conta com a participação do amigo Robert Wyatt, baterista e vocalista do lendário Soft Machine. Em 1971, quando preparava sua banda por SM, Wyatt tomou um porre numa festa e caiu do terceiro andar, ficando paraplégico – o que não o impedir de fazer discos de relativo sucesso depois. Aqui ele participa com um solo de corneta na faixa 9.

Se botar Wyatt tocando corneta já é um luxo, imagine ter como backing vocals David Crosby e Grahan Nash (parceiros de Stephen Stills e Neil Young vocês sabem onde)... Pois é o que Gilmour faz nas faixas 5, 6 e 14, cantando com eles trechos de uma canção de Stills, a faixa 20.

Mas a participação mais luxuosa está no fim, com a entrada no palco de David Bowie. Com ele, Gilmour e companhia fazer uma versão enfezada para “Arnold Layne”, o compacto que deu início à viagem do Pink Floyd, em 1967. Em seguida, fechando o DVD, Bowie divide com Gilmour o vocal da clássica “Comfortably Numb”, que vou comentar mais abaixo.

Como se não bastassem essas 22 músicas, eu ripei também as faixas de áudio do DVD bônus, e aí o bicho pega. Sabe aquela história de repertório pouco ousado? Pois é, as cinco primeiras músicas dos bônus são gravações de outros shows no Albert Hall, incluindo “Dominoes”, do segundo disco solo de Syd Barrett (fundador do Floyd), e ”Wot's... Uh the Deal?”, de Obscured by Clouds, um dos meus discos favoritos do Pink Floyd.

Também entre essas cinco estão versões alternativas de “Arnold Layne” e “Comfortably Numb”, com Richart Wright cantando no lugar de Bowie. Embora prefira a versão da primeira com Bowie, confesso que gostei mais de “Comfortably Numb” com Wright. Para mim, essa música sempre foi um ponto complicado no repertório do Floyd sem Roger Waters e da carreira solo de Gilmour. Nenhuma tentativa de substituir o vocal de Waters me pareceu satisfatória – e olhe que, além de Bowie, Gilmour já tentou três músicos de apoio cantando juntos, Robert Wyatt e até Bob Geldoff. Waters, por sua vez, não corre riscos, em seus shows solo, botou Doyle Bramhall II para imitar descaradamente o vocal de Gilmour. Pois bem, acho que Richard Wright foi quem chegou mais perto. Se não do timbre de Waters, ao menos de sua interpretação.

Os bônus seguem com mais uma música de Barrett, “Dominoes”, e outra antigona do Floyd, “Astronomy Domine”. Depois vem uma versão ao vivo de uma canção nova de Gilmour e uma Jam instrumental. As últimas cinco faixas são do primeiro show da turnê de On An Island.

É isso, espero que gostem – e comentem...

Ah, como ripei em 320 kbps, precisei quebrar num monte de arquivos. Mas vale a maratona.

Disco principal

1. Speak to Me
2. Breathe
3. Time / Breathe (Reprise)
4. Castellorizon
5. On an Island
6. The Blue
7. Red Sky at Night
8. This Heaven
9. Then I Close My Eyes
10. Smile
11. Take a Breath
12. A Pocketful of Stones
13. Where We Start
14. Shine On You Crazy Diamond, Pts. 1-5
15. Fat Old Sun
16. Coming Back to Life
17. High Hopes
18. Echoes
19. Wish You Were Here
20. Find the Cost of Freedom
21. Arnold Layne
22. Comfortably Numb

Download parte 1
Download parte 2
Download parte 3
Download parte 4

Disco bonus

1. Wot's... Uh the Deal?
2. Dominoes
3. Wearing the Inside Out
4. Arnold Layne
5. Comfortably Numb
6. Dark Globe
7. Astronomy Domine
8. This Heaven
9. Island Jam
10. Castellorizon
11. On an Island
12. The Blue
13. Take a Breath
14. High Hopes

Download parte 1
Download parte 2

No vídeo, a canja de Bowie cantando “Arnold Layne”, o primeiro compacto do Floyd:



E, já que Dagda está muito gente boa, vai também “High Hopes”, melhor música do Floyd pós-Waters.

Terça-feira, Maio 05, 2009

Motörhead – Meltdown (1992)



Galera, o negócio agora é porradaria sem erro. Isso aqui é uma seleção de músicas raras da gangue de Lemmy, lançadas numa caixa tripla com o mesmo nome.

Em 256 kbps.

1. Turn You Around Again
2. Under the Knife I
3. Under the Knife II
4. Stand by Your Man (c/ Wendy O’ Williams)
5. Emergency
6. Lemmy goes to the Pub (versão alternativa de Heart Of Stone)
7.Tales of Glory (live)
8. Heart of Stone (live)
9. Hoochie Coochie Man (live)
10. (Don’t Need) Religion (live)
11. Go to Hell (live)
12. One Track Mind (live)
13. Shoot You in the Back (live)

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No video, uma versão mais recente de “Shoot You In The Back”:

Pentacle – La Clef Des Songes (1975)



Galera, um pouquinho de progressivo. Anos atrás, meu irmão Mason (meu guru para fins de prog rock) me gravou um CD com músicas de duas bandas européias. O “gancho” do CD era que nenhuma das bandas cantava em inglês. A primeira era o grupo basco Lisker (já disponível aqui na Caverna), um tantinho mais pesado. A segunda era esta aqui.

O quarteto Pentacle foi fundado na França em 1971, fazendo um progressivo mais sinfônico, muito calcado nos ingleses, ainda que cantado na língua materna da banda. Gravaram somente este disco. Um som um pouco mais suave e cheio de texturas que me cativou imediatamente. Anos depois, consegui comprar o CD remasterizado, que vem com três versões ao vivo.

Espero que gostem. Ah, está em 256 kbps.

1. La Clef Des Songes
2. Naufrage
3. L'âme Du Guerrier
4. Les Pauvres
5. Complot
6. Le Raconteur
7. La Clef Des Songes - Live
8. Complot - Live
9. Le Raconteur – Live

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Infelizmente não encontrei nenhum vídeo deles.

Terça-feira, Abril 28, 2009

Deep Purple – Mark III The Final Concerts (1996)



Esqueçam violinos, fagotes e coisas do gênero. O Deep Purple aqui é hard rock de pé embaixo, ainda que um tanto desconjuntado pelas brigas internas. Trata-se do último show da terceira formação, ainda com Ritchie Blackmore na guitarra.

O ano era 1975, e Blackmore estava de saco cheio. Seis anos antes, a entrada de Ian Gillan e Roger Glover na banda significara a consolidação do hard rock como estilo do grupo, em contraponto às visões mais ecléticas de Jon Lord. No final de 1973, porém, Gillan e Glover foram substituídos por David Coverdale e Glenn Hughes, o que implicou novo direcionamento. Os dois (especialmente Hughes) estavam imersos em soul music, gênero que, na época, também atraía a atenção de Jon Lord. Ian Paice, claro, estava ocupado demais dando porrada na bateria para se envolver com essas coisas.

Se a guinada era sutil em Burn, ficou bem clara em Stormbringer, levando Blackmore a decidir pela saída. Decidiu e ficou na dele. Para todos os efeitos, estava gravando um disco solo com membros do Elf, mas, na verdade, já via ali o embrião de sua nova banda, o Rainbow.

A turnê de divulgação de Stormbringer terminaria em abril com shows em Graz, na Áustria, e em Paris. As faixas 1 e 2 do disco 1 e 3 e 4 do disco 2 são da apresentação austríaca, enquanto as demais são do show parisiense. Como não há retoque perceptível, dá pra ouvir alguns erros, especialmente de Blackmore, que já estava no automático. Por outro lado, ele arrisca apresentar ao público riffs que estava usando em “Still I’m Sad” e “Man On The Silver Mountain”, do primeiro disco do Rainbow.

Pessoalmente, gosto de todos os vocalistas do Purple (não considerando Joe Lynn Turner como tal), mas tenho que reconhecer que a tentativa de Coverdale e Hughes de cantar “Smoke On The Water” fica sofrível...

Disco 1

1. Burn
2. Stormbringer
3. The Gypsy
4. Mistreated
5. Lady Double Dealer
6. Smoke on the Water
7. You Fool No One

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Disco 2

1. Space Truckin'
2. Going Down / Highway Star
3. Mistreated
4. You Fool No One

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Não há registro em vídeo dessas duas apresentações.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Deep Purple Orquestral

Quem já viu o encarte do duplo Deep Purple In Concert certamente estranha o grupo ser chamado de “progressivo” – até porque o Purple, junto com Led Zeppelin e Black Sabbath, foi um dos definidores do que viria depois a ser chamado de heavy metal. Entretanto, nem é tão viagem assim. No finzinho dos anos 60, a linha entre o rock pesado e o progressivo era um tanto tênue. Além disso, o Deep Purple tinha uma presença marcante dos teclados de Jon Lord e era famoso pelos longos improvisos ao vivo, características bem prog.

Mas talvez o que mais permita esse tipo de classificação seja o namoro do grupo com a música erudita, patrocinado por Jon Lord. São esses dois, que a Caverna traz para os visitantes. Deixei de fora Live At Albert Hall, de 1999, porque já caiu na categoria pastiche.

Concerto For Group And Orchestra (1970)



A figura dominante na primeira fase do Deep Purple foi mesmo Jon Lord. Nos três primeiros discos, seu órgão (sem trocadilho, por favor) era preponderante nos arranjos, embora Richie Blackmore já mostrasse ao vivo os solos que o transformariam numa lenda da guitarra. Em termos de estilo, aquela fase era um tanto indefinida, um psicodélico pesado na linha do Vanilla Fudge.

A substituição de Rod Evans e Nick Simper por Ian Gillan e Roger Glover permitiu uma redefinição da banda, mas para que lado? Para o som mais elaborado de Lord ou mais pesado de Blackmore. O último álbum com os membros originais, chamado apenas Deep Purple, fora o mais prog de todos, daí Lord ter podido ditar o caminho do trabalho seguinte: nada menos que um concerto inteiro composto por ele para a banda e uma orquestra.

A idéia era original? Nem de longe. Os Beatles usaram orquestra no Sgt. Peppers; Moody Blues fez um disco inteiro com essa combinação. O recurso também foi usado por The Nice e Caravan. De qualquer forma, em 1969, o grupo subiu ao palco do Royal Albert Hall ao lado da Real Orquestra Filarmônica, sob a regência de Malcolm Arnold.

Além dos três movimentos compostos por Lord, o programa contou com uma versão superanabolizada do instrumental “Wring That Neck” e com a apresentação em primeiríssima mão de “Child In Time”, que só seria lançada no disco seguinte.

A resposta da crítica e do público ao disco foi aquém do esperado – embora, com o tempo, o concerto tivesse virado cult. Esse resultado serviu para consolidar a posição de Blackmore no direcionamento musical do grupo. O lançamento seguinte foi nada menos que o seminal “In Rock” – e o resto é história.

1. Wring That Neck
2. Child In Time
3. First Movement: Moderato, Allegro
4. Second Movement: Andante
3. Third Movement: Vivace, Presto

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No vídeo, parte do primeiro movimento:



Gemini Suite Live (1993)



Cerca de um ano depois do Concerto, Jon Lord voltou à carga na linha rock com orquestra. Agora, porém, com características diferentes. Primeiramente, seu novo projeto era uma encomenda da BBC. “Segundamente”, embora fosse tocada pelo Deep Purple, com alguns convidados, a versão de estúdio saiu em 1971 como o primeiro disco solo do tecladista.

Embora tenha havido um show do Deep Purple com a orquestra da Light Music Society, em 17 de setembro de 1970, essa gravação ficou inédita por mais de duas décadas. Pode parecer heresia, mas eu acho melhor que o concerto.

1. First Movement: Guitar, Organ
2. Second Movement: Voice, Bass
3. Third Movement: Drums, Finale

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Infelizmente não existe registro em vídeo da gravação de Gemini Suite.

Domingo, Abril 26, 2009

Ace Frehley – Live At Hard Rock Cafe (2007)



Atenção, galera, este aqui é um bootleg autêntico, com som de conversa na platéia e tudo o mais. Nada de mesa de som. Mas não tinha como privar a galera de uma apresentação de Ace Frehley ao vivo. O repertório é calcado no material do Kiss (contando aí seu disco solo quando ainda era do grupo), com algumas canções de sua carreira após sair da banda. Dividi em dois discos para quem quiser queimar. O segundo tem curiosidades, como um medley de clássicos e três músicas do Kiss cantadas e compostas originalmente por Paul Stanley e Gene Simmons.

Confesso que fiquei muito decepcionado na única vez que vi Ace ao vivo, no show do Kiss em Interlagos. Ace estava visivelmente chapado e errava feito um doido. Aqui não. Neste show ele mostra porque, mesmo sem ser um virtuose, influenciou toda uma geração de guitarristas de hard rock.

Ah, a capa tosca (com um f a mais) é de minha autoria mesmo.

Disco 1

1. Rip It Out
2. Hard Times
3. Parasite
4. Snowblind / I Want You / Rock Soldiers
5. Breakout
6. Into The Void
7. Strange Ways
8. Shock Me
9. Ace’s Solo
10. New York Groove
11. Shot Full Of Rock
12. Rocket Ride

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Disco 2

1. Medley My Generation / How Many More Times / Bring It On Home / Highway to Hell
2. Love Gun
3. Deuce
4. Cold Gin

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No vídeo, “Into The Void”:

Manolo Sanlúcar – Tauromagia (1988)



Galera, sei este aqui que foge um muito do escopo do blog, mas eu adoro música flamenca. Aqui está um maravilhoso disco do violonista espanhol Manolo Sanlúcar. Desculpem-me os politicamente corretos, pois o disco é inteiramente dedicado à touradas.

1. Nacencia
2. Maletilla
3. Oracion
4. Maestranza
5. Capote
6. Tercio de Vara
7. Banderillas
8. Muleta
9. Puerta del Principe

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No vídeo, Manolo (o grisalho) interpreta “Puerta Del Principe”:

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Os banidões do Ozzy

Ozzy Osbourne já foi meu ídolo. Quer dizer, de certa forma ainda é. Eu ainda adoro o trabalho dele no Black Sabbath e em boa parte de sua carreira solo e me divertia com a sua maluquice, embora hoje veja isso mais como uma compulsão auto-destrutiva.

O problema é que, com o tempo, a postura de Ozzy mudou. Ao mesmo tempo em que deixava de ser roqueiro para virar comediante de TV (uma amiga minha de vinte e poucos anos se dizia fã de Ozzy sem jamais ter ouvido uma música dele), ele passou a tomar atitudes no mínimo questionáveis em relação a sua antiga produção musical. Não foram atitudes movidas por preocupações artísticas, mas por pura ganância e mesquinharia.

Em 2001, Bob Daisley e Lee Kerslake entraram com um processo contra Ozzy por que este (e sua mulher e empresária Sharon) não pagava-lhes direitos devidos por terem co-escrito canções e tocado em canções e tocado (respectivamente baixo e bateria) nos dois primeiros e melhor discos do comedor de morcegos. Em vez de pagar o que devia aos antigos companheiros, Ozzy foi para estúdio com o baixista Robert Trujillo e o baterista Mike Bordin e fez com que estes regravassem as passagens de baixo e bateria de Blizzard Of Ozz e Diary Of A Madman, lançando as “novas versões” para que Daisley e Kerslake nada recebessem pelo trabalho original.

Detalhe: Gene Simmons , assumidamente um cara que ama dinheiro no limite da imoralidade e não se furta a falar mal de antigos colegas, nunca cogitou refazer Lick It Up para privar Vinnie Vincent do justo pagamento por seu trabalho. Detalhe II – A Missão: A fama de Sharon Osbourne é tal que ela foi “homenageada” por Geezer Butler com a música “Digital Bitch”, do disco Born Again, do Black Sabbath.

Na esteira desses infelizes relançamentos, Ozzy deu uma “limpada” em sua discografia, banindo quatro títulos – pelo menos um deles pelo mesmo motivo torpe. Eles ainda podem ser encontrados na Europa e na Ásia, mas não circulam mais pelo mercado norte-americano – e, por tabela, brasileiro. Pois bem, em reverência ao Ozzy de ontem, a Caverna traz aqui os discos que o novo Ozzy não quer que você ouça.

Speak Of The Devil (1982)



Mil, novecentos e oitenta e dois foi um ano de cão para Ozzy. Em março, o genial guitarrista Randy Rhoads morreu num acidente de avião, jogando o vocalista numa depressão profunda, embora continuasse a se apresentar – Bernie Torme substitui Rhoads inicialmente, seguido por Brad Gillis.

Como ainda não havia material suficiente para um novo disco de estúdio, a idéia de Ozzy era lançar um disco ao vivo com gravações feitas com Rhoads. Porém, na metade do ano, o Black Sabbath anunciou a intenção de lançar até o fim do ano seu primeiro disco ao vivo oficial, tendo Ronnie James Dio nos vocais. A Epic, gravadora de Ozzy, decidiu que, para fazer frente a esse lançamento, era preciso um disco não da carreira solo dele, mas de seus clássicos com o Sabbath.

Este é o resultado, um disco cercado de controvérsias. Embora Ozzy sempre tenha cantado músicas do Sabbath (de mais a mais, ele é co-autor delas), um show somente com repertório da antiga banda era algo inédito e jamais repetido. Na mesma hora surgiram rumores de que o disco era fajuto, gravado em estúdio ou, na melhor das hipóteses, no palco sem platéia, com os berros desta acrescentados depois. Como não há um só bootleg desse show, a suspeita só faz crescer.

Para aumentar a controvérsia, foi lançado em VHS com o mesmo nome (chegou a sair em DVD de banca de jornal por aqui) mas com repertório completamente diferente daquele do disco – só as duas últimas faixas estão nos dois.

Talvez por esses motivos Ozzy tenha excluído o disco de sua discografia original, mas ele merece uma audição. Primeiro porque o repertório é invejável. E segundo porque era, até então, o único registro do grande baixista Rudy Sarzo na banda de Ozzy. Junto com Tommy Aldridge, ele formou uma cozinha impecável. Pena que Brad Gillis suma ao tentar fazer as vezes de Tony Iommi.

1. Symptom of the Universe
2. Snowblind
3. Black Sabbath
4. Fairies Wear Boots
5. War Pigs
6. The Wizard
7. N.I.B.
8. Sweet Leaf
9. Never Say Die
10. Sabbath Bloody Sabbath
11. Iron Man / Children of the Grave
12. Paranoid

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No vídeo, “Iron Man / Children Of The Grave”:



The Ultimate Sin (1986)



Quem viu o show de Ozzy no Rock In Rio (e eu vi na fila do gargarejo) lembra até hoje a intensidade da apresentação. O repertório, calcado nos três discos solo dele até então, era irretocável, enquanto a banda estava perfeita, com Daisley, Aldridge e mais Don Airey nos teclados e o novato Jake E. Lee debulhando na guitarra. Vendo aquele show, mal podíamos esperar pelo próximo disco de estúdio de Ozzy.

Quando o disco veio, um ano depois, foi um tremendo corta tesão. Da formação do show aqui, só Jake E. Lee permanecia – Daisley ajudou a compor quase tudo, mas brigou com Ozzy no início das gravações. The Ultimate Sin vinha embalado em muita lantejoula, com muito laquê e tudo o mais da fórmula do glam metal que dominava as paradas americanas de então. Embora tivesse algumas músicas boas, em especial “Killer Of Giants”, faltava-lhe o punch dos discos anteriores. A música de trabalho, “Shot In The Dark”, era pop de doer. Do ponto de vista comercial, porém, foi um sucesso absoluto.

O motivo para o disco sair do catálogo foi pura mesquinharia. Phil Soussan, baixista que substituiu Daisley, escreveu com Ozzy a citada “Shot In The Dark”. Na verdade, ele trouxe a música pronta de sua banda anterior, a Wildlife. Ozzy mandou que ele refizesse a letra e exigiu co-autoria para gravá-la. O compacto chegou ao décimo lugar da parada de rock e motivou dois processos que Soussan abriu, após ser demitido por Ozzy, alegando também a falta de pagamento de royalties.

1. The Ultimate Sin
2. Secret Loser
3. Never Know Why
4. Thank God for the Bomb
5. Never
6. Lightning Strikes
7. Killer of Giants
8. Fool Like You
9. Shot in the Dark

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No vídeo, o clip de “Shot In The Dark”:



Just Say Ozzy (1990)



Este aqui eu não consigo entender o motivo para ser excluído. Após o pop The Ultimate Sin, Ozzy lançou em 1988 o pesado No Rest For The Wicked, com o garoto Zakk Wylde substituindo Jake E. Lee. Embora Bob Daisley tenha tocado o baixo no estúdio, o encarte já trazia a foto do novo integrante da banda, um certo Terrence “Geezer” Butler.

Lançado em 1990, este EP ao vivo foi, oficialmente, gravado na Inglaterra. Na verdade, o som da platéia veio de um show de Ozzy gravado nos EUA para a MTV. Picaretagem da grossa, mas o resultado vale a pena.

1. Miracle Man
2. Bloodbath in Paradise
3. Shot in the Dark
4. Tattooed Dancer
5. Sweet Leaf
6. War Pigs

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No vídeo, “Miracle Man” ao vivo, com Geezer Butler no baixo:



Live & Loud (1993)



Por fim, outro de não deveria sair de catálogo. Em 1983, na esteira do lançamento do bom No More Tears, Ozzy caiu na estrada dizendo que aquela seria sua última turnê. Diversos shows foram gravados e compilados neste álbum , culminando com uma apresentação da formação original do Black Sabbath.

O repertório reúne o melhor da carreira solo de Ozzy, e a banda está quicando nos cascos.

Disco 1

1. Intro
2. Paranoid
3. I Don't Want To Change The World
4. Desire
5. Mr. Crowley
6. I Don't Know
7. Road To Nowhere
8. Flying High Again
9. Guitar Solo
10. Suicide Solution
11. Goodbye To Romance

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Disco 2

1. Shot In The Dark
2. No More Tears
3. Miracle Man
4. Drum Solo
5. War Pigs
6. Bark At The Moon
7. Mama, I'm Coming Home
8. Crazy Train
9. Black Sabbath
10. Changes

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No vídeo, “Bark At The Moon”, ao vivo:

Sábado, Abril 11, 2009

Inkubus Sukkubus – Viva La Muerte (2009)



Galera, aqui o novo disco do trio pagão inglês Inkubus Sukkubus. Seus discos anteriores tinham fugido um pouco da temática pagã em direção a um gótico mais convencional, mas este aqui representa mais uma virada. É praticamente um disco conceitual, centrado na relação entre a morte e o amor e na forma como a cultura mexicana lida com os dois temas. Essa temática mexicana trouxe um ou outro violão, embora, em síntese, o som não tenha perdido muito das características do grupo.

1. Love Eternal
2. Fiesta de Amor
3. Death Comes (the wedding night)
4. Living Death
5. Emergence
6. We Walk Again
7. (Our) Love Will Endure
8. Live to Hate (the living fear the dead)
9. Decaying Beauty
10. The Endless Night

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Ainda não há nenhum vídeo do disco disponível.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Heaven & Hell – The Devil You Know (2009)



Galera, já que Dagda está com a cachorra hoje, vamos pra uma novidade que já está circulando por blogs mais que recomendados, como o Combe do Iommi e o Metal Prudente. Trata-se do primeiro disco do Heaven & Hell – pra quem não sabe, o nome de fantasia do quarteto Ronnie James Dio, Tony Iommi, Geezer Butler e Vinnie Appice.

Só ouvi uma vez, mas achei bem legal. Pra ser sincero, melhor que Dehumanizer último registro dessa formação ainda sob o nome Black Sabbath, ainda que não chegue nem perto de Mob Rules ou do genial Heaven & Hell, ainda com Bill Ward na bateria.

1. Atom & Evil
2. Fear
3. Bible Black
4. Double the Pain
5. Rock & Roll Angel
6. The Turn of the Screw
7. Eating the Cannibals
8. Follow the Tears
9. Neverwhere
10. Breaking into Heaven

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Como não achei vídeo do novo disco, entra aqui um registro do show do quarteto tocando a antológica “Die Young”:

Kiss – Alive 35 Helsinki (2008)



Galera, ainda comemorando o show do Kiss, aqui está um bootleg semi-oficial, com som direto da mesa, gravado ano passado na Finlândia. O repertório é o mesmo do show de Sampa, pois aqui no Rio ficamos sem “Love Gun”.

Está em 320kbps e com capas e captures. Assim, precisei quebrar em três arquivos.

Disco 1


1. Deuce
2. Strutter
3. Got to Choose
4. Hotter Than Hell
5. Nothin' to Lose
6. C'mon and Love Me
7. Parasite
8. She
9. 100.000 Years
10. Cold Gin

Disco 2

1. Let Me Go Rock’n’Roll
2. Black Diamond
3. Rock And Roll All Nite
4. Shout It Out Loud
5. Lick It Up
6. I Love It Loud
7. I Was Made For Lovin’ You
8. Love Gun
9. Detroit Rock City

Download parte 1
Download parte 2
Download parte 3

Esse vai sem vídeo. Tem até algumas gravações desse show no YouTube, mas todas muito toscas.

Kiss ao vivo

Galera, na quarta-feira, por volta de meia-noite e meia, eu cheguei em casa cansado, ensopado, surdo e feliz da vida. Tive a alegria de ver, pela terceira vez, um show do Kiss. Para comemorar, boto aqui a discografia ao vivo da banda. Só deixei de fora a coletânea You Wanted the Best, You Got the Best!!, feita com sobras dos anteriores.

Alive! (1975)



Este é o disco ao vivo. Naquele momento, o Kiss vivia a bizarra situação de ser um fracasso de vendas de discos e um sucesso absoluto em shows. A gravadora Casablanca Records estava à beira da falência, o que implicaria praticamente o fim da banda. Foi quando alguém teve uma idéia maluca: gravar um álbum duplo ao vivo – extra-oficialmente seria o canto do cisne tanto da Casablanca quanto do Kiss. Um “canto do cisne” que vendeu milhões de cópias, catapultou o grupo para o estrelato e salvou a gravadora.

O disco é perfeito. Pesado, com um repertório impecável (repetido quase integralmente nos shows da atual turnê) e mostrando uma banda coesa e motivada. O som era tão bom que muita gente acusou o grupo de refazer em estúdio as gravações – implicar com o Kiss é o passatempo favorito de parte da imprensa dos EUA. Na época, o produtor Eddie Kramer disse que fez pouquíssimos ajustes, como corrigir o som de uma corda de guitarra arrebentando ou um erro mais grosseiro. Depois, após brigar com o grupo, disse que o algum fora mesmo quase todo refeito em estúdio. Porém, a cada hora dá uma versão diferente para o que seria original, o que lhe tira muito da credibilidade.

Disco 1

1. Deuce
2. Strutter
3. Got to Choose
4. Hotter Than Hell
5. Firehouse
6. Nothin' to Lose
7. C'mon and Love Me
8. Parasite
9. She

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Disco 2

1. Watchin' You
2. 100,000 Years
3. Black Diamond
4. Rock Bottom
5. Cold Gin
6. Rock and Roll All Nite
7. Let Me Go, Rock 'n' Roll"

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Alive II (1977)



O enorme sucesso do Kiss após Alive! e a renomada excelência de seus shows deixavam claro que era só questão de tempo até um novo disco ao vivo dar as caras. No início de 1977, a banda estava à beira de uma estafa após quase três anos ininterruptos de shows e gravações, com efeitos devastadores sobre o baterista Peter Criss e o guitarrista Ace Frehley. Como a Casablanca pressionava por um novo lançamento, o empresário teve a idéia de sacar outro disco ao vivo. O mesmo Eddie Kramer recebeu ordem de trabalhar gravações de um show no Budokan, em Tóquio. O resultado, porém, desagradou do grupo – tanto pela qualidade do som quanto pelo fato de o repertório ser muito parecido com o do ao vivo anterior.

Com o cancelamento do ao vivo, a banda foi em frente e gravou Love Gun, mas a idéia germinou. O problema era a decisão de não repetir músicas de Alive. Mesmo incluindo canções discutíveis, como “Christine Sixteen” e “Tomorrow And Tonight”, o material não era suficiente para encher um álbum duplo. Assim, o último lado do segundo LP (depois as últimas cinco canções do segundo CD) foi gravado em estúdio. Essas gravações evidenciaram um problema crescente dentro da banda. Ace Frehley não participou de quatro das cinco músicas, substituído por Bob Kulick.

Desta vez, as acusações de retoque em estúdio foram difíceis de espalmar, por o som tem algo artificial, mesmo. E á ao menos uma picaretagem assumida: a versão da citada “Tomorrow And Tonight” não foi gravada no show de Los Angeles e sim na passagem de som realizada horas antes. Como ficou melhor que na versão da apresentação de fato, simplesmente incluíram o som da platéia. Ah, “I Want You” e “Beth” (esta eu acho absolutamente dispensável, um tremendo corte no clima do disco) foram tiradas das gravações do Budokan.

Disco 1

1. Detroit Rock City
2. King of the Night Time World
3. Ladies Room
4. Makin' Love
5. Love Gun
6. Calling Dr. Love
7. Christine Sixteen
8. Shock Me
9. Hard Luck Woman
10. Tomorrow and Tonight

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Disco 2

1. I Stole Your Love
2. Beth
3. God of Thunder
4. I Want You
5. Shout It Out Loud
6. All American Man
7. Rockin' in the U.S.A.
8. Larger Than Life
9. Rocket Ride
10. Any Way You Want It

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Alive III (1993)



A virada dos anos 80 para os 90 representou uma volta do Kiss ao sucesso, puxada pelo bom Hot In The Shade e pelo excelente Revenge. Um novo disco ao vivo era o resultado natural. Desta vez não houve restrições ao repertório, misturando clássicos a canções posteriores aos dois alives anteriores – eu trocaria “Heaven’s On Fire” por “War Machine” ou mesmo “The Oath”, mas aí já cai nas preferências, mesmo.

Desta vez há duas picaretagens explícitas. Como em Alive II, há uma música (“I Was Made For Lovin’ You”) gravada na passagem de som, com a platéia acrescentada depois. Já na faixa “I Just Wanna”, o refrão foi mudado. Paul Stanley e a platéia cantavam “I just wanna fuck”, mas a banda temia que isso levasse à colocação de selos com aviso aos pais, o que equivale a banir o disco das grandes lojas de departamentos. Assim, o refrão foi mexido para voltar a ser o “I just wanna fuh” da versão de estúdio.

1. Creatures of the Night
2. Deuce
3. I Just Wanna
4. Unholy
5. Heaven's on Fire
6. Watchin' You
7. Domino
8. I Was Made for Lovin' You
9. I Still Love You
10. Rock and Roll All Nite
11. Lick It Up
12. Forever
13. Take It Off
14. I Love It Loud
15. Detroit Rock City
16. God Gave Rock 'N' Roll To You II
17. The Star Spangled Banner

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MTV Unplugged (1996)



Elevado com justiça à categoria de banda clássica, o Kiss foi convidado para o inescapável acústico MTV, moda nos anos 90. Independentemente de ser fã do Kiss, eu acho esse um dos melhores acústicos da série. A banda vinha fazendo shows nesse formato há meses nas chamadas “Kiss Conventions” (aliás, nos arquivos da Caverna há um excelente bootleg de uma apresentação dessas na Austrália) e já sabia que músicas rendiam bem nos violões. Assim, trouxe para a MTV canções inusitadas de seu repertório, como “Plaster Caster”, “Comin’ Home” e “Sure Know Something”, e ainda resgatou jóias esquecidas, em especial “Goin’ Blind”, “A World Without Heroes” e “See You Tonite”, balada gravada por Gene Simmons em seu irregular disco solo.

Mas a grande atração do programa foi a presença de Ace Frehley e Peter Criss, resultando na primeira apresentação da formação original desde a turnê de Dynasty, em 1979. Antes mesmo de o show terminar, Bruce Kulick e Eric Singer sabiam que o bilhete azul deles já estava assinado.

1. Comin' Home
2. Plaster Caster
3. Goin' Blind
4. Do You Love Me
5. Domino
6. Sure Know Something
7. A World Without Heroes
8. Rock Bottom
9. See You Tonite
10. I Still Love You
11. Every Time I Look at You
12. 2,000 Man
13. Beth
14. Nothin' to Lose
15. Rock and Roll All Nite

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Kiss Symphony: Alive IV (2003)



Se os acústicos foram a moda do início dos anos 90, os show de rock pesado com orquestra foram a do final da década. Alive IV deveria ter sido outro (mais detalhes abaixo), mas problemas com a gravadora impediram o lançamento, cabendo o título a este aqui, o primeiro pelo selo Kiss Records.

A banda despencou-se para a Austrália e contratou a Orquestra Sinfônica de Melbourne, sob a regência de David Campbell, que também fez os arranjos. Embora Peter Criss pilote as baquetas, a maquiagem do Homem do Espaço já não escondia as cicatrizes de Ace Frehley, demitido da banda pouco antes. A guitarra solo agora estava a cargo de Tommy Thayer, até hoje com a banda.

O show foi dividido em três partes. As seis primeiras músicas do disco 1 foram gravadas só pelo Kiss. As cinco seguintes (incluindo “Shandi”, um inexplicável sucesso na Austrália) formam um set acústico com a sessão de cordas da orquestra. Já o segundo disco foi gravado pela banda com a orquestra completa. Graças à participação do Coral Infantil da Austrália, o público foi brindado com a primeira e única apresentação ao vivo de “Great Expectations”.

Uma certa ousadia no repertório e o tom de galhofa da orquestra (todos de fraque e com a maquiagem da banda) dão a esse disco um ar um tanto menos pretensioso que o dos demais discos sinfônicos da época – não obstante ser um ótimo disco.

Disco 1

1. Deuce
2. Strutter
3. Let Me Go, Rock 'N Roll
4. Lick It Up
5. Calling Dr. Love
6. Psycho Circus
7. Beth
8. Forever
9. Goin' Blind
10. Sure Know Something
11. Shandi

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Disco 2

1. Detroit Rock City
2. King of the Night Time World
3. Do You Love Me
4. Shout It Out Loud
5. God of Thunder
6. Love Gun
7. Black Diamond
8. Great Expectations
9. I Was Made for Lovin' You
10. Rock and Roll All Nite

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The Millennium Concert (2005)



Chegamos ao que deveria ter sido Alive IV. Sempre pareceu estranho que a volta da formação original não tivesse gerado um único disco ao vivo. Ok, Ace estava errando horrores, como vimos em Interlagos, mas nada que (mais) uma mexidinha em estúdio não resolvesse. A verdade é que o disco existia, mas não chegou a sair.

O show foi gravado no dia 31 de dezembro de 1999, daí seu nome – tem gente que não consegue entender que o “milênio” só começou em 2001, mas tudo bem. Uma capa chegou a ser preparada e a produção estava relativamente avançada quando a Vivendi comprou a Universal Music, conglomerado que controlava a Mercury, selo do Kiss. Segundo a banda, nesse processo, o comando da Mercury foi entregue a um grupo de executivos ligados a uma boçalidade chamada “gangsta rap” e que não tinha interesse em investir em rock. Com sua adorável incorreção política, Gene Simmons disse numa entrevista que pensou até em assaltar um banco e matar e estuprar algumas pessoas para ver se atraía a simpatia dos ditos executivos.

O disco só veio a público em 2005, numa caixa que reuniu também os Alives I, II e III.

1. Psycho Circus
2. Shout It Out Loud
3. Deuce
4. Heaven's On Fire
5. Into the Void
6. Firehouse
7. Do You Love Me?
8. Let Me Go, Rock 'n' Roll
9. I Love It Loud
10. Lick It Up
11. 100,000 Years
12. Love Gun
13. Black Diamond
14. Beth
15. Rock and Roll All Nite

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Como o post é especial, a parte de vídeos também vai ser.

Os vídeos promocionais de “C’Mon And Love Me” e “Rock’n’Roll All Nite” (eu nunca tinha visto!):



“I Want You” ao vivo em 1977:



“Domino”, do Alive III:



“Beth” acústica (ficou bem menos baba):



“Black Diamond” com orquestra na Austrália:



Por fim, “2000 Man” no Millennium Concert (a música ficou de fora do disco):